Instrumento
A conta que decide
A regra popular — «se a reparação custar mais de metade do novo, deita fora» — é grosseira e engana muita vez. O que interessa não é a percentagem: é quanto custa cada ano de uso em cada um dos caminhos.
Como é que isto decide
Dividimos o custo de cada caminho pelos anos de uso que ele traz. Sai um preço por ano, e comparam-se dois números da mesma espécie:
- Repara — o ano reparado fica abaixo de 60 % do ano em novo.
- Depende — fica entre 60 % e 100 %: os dois caminhos são próximos e a decisão passa a ser dos critérios que não são dinheiro.
- Troca — o ano reparado custa tanto ou mais do que o ano em novo.
O que a conta não sabe
E que a pessoa sabe:
- Consumo. Um frigorífico ou uma máquina com vinte anos pode gastar por ano o suficiente para inclinar a balança. Vale a pena somar essa diferença ao lado do «novo».
- Garantia. Se o aparelho ainda estiver dentro dos três anos de garantia legal, a conta certa é outra — comece por aí.
- Peças. Uma reparação barata num aparelho sem peças no mercado é dinheiro entregue a uma avaria que volta.
- Apego. Não é irracional. Um objeto que veio de alguém tem um valor que nenhuma calculadora escreve — e está bem assim.
Sem JavaScript
A regra funciona na mesma com uma folha de papel: divida o orçamento da reparação pelos anos que ela dá, divida o preço do novo pelos anos que ele dura, e compare os dois resultados.
Três exemplos com os números à vista
| Caso | Reparação | Anos ganhos | Novo | Vida do novo | Veredicto |
|---|---|---|---|---|---|
| Amortecedores de máquina de lavar | 60 € | 6 | 450 € | 10 | Repara |
| Rolamento em tambor selado, máquina com 9 anos | 320 € | 4 | 450 € | 10 | Troca |
| Bateria de telemóvel ainda com atualizações | 80 € | 3 | 600 € | 5 | Repara |
Os valores acima servem para explicar o método. Os preços reais de peças e de mão de obra variam com a marca, o modelo e a região — quando uma ficha cita um preço, cita a fonte.